Te olho por detrás da penumbra que habita à noite. Te toco a face. E te vejo iluminada pela lua que insiste em adentrar a fresta deixada pela janela entreaberta. O quarto parece ter os tons da música mais bela já criada.

Quero te beijar, mas não posso.

Quero te abraçar, mas não abraço.

Apenas deito minha mão sobre tua face na tentativa, de talvez, te dizer que você é a definição de amor que tanto procurei e escrevi. É por isso que escrevo tanto sobre você. Porque você chegou pra me mostrar o quanto é possível amar alguém até que as palavras se tornam insuficientes pra dar uma significação ao sentimento.

Quero conversar com você. Mas prefiro ouvir tua respiração serena e tranquila quando dorme.

Quero me declarar da forma mais tosca e sincera. Mas eu não faço nada disso porque eu sei que isso causa medo e que você pode se afastar de mim pelas palavras que penso em pronunciar. Pelo eu te amo, pelo fica comigo...

Então tu se aproxima mais do meu corpo e me abraça quase que involuntariamente eu diria. Um ato inconsciente que pela manhã não será mais lembrado.

E eu faço dos teus braços meu aconchego. Porque ali, naquelas poucas horas da noite eu me sinto segura, me sinto eu, me sinto amada, querida, sinto um carinho sincero que se alastra pelo cômodo até aquecer o meu coração.

Nesse momento me vem uma tranquilidade tão grande que já não consigo manter os olhos abertos. Caio no sono ao som da tua respiração que faz rodopios na minha face. E espero que a noite tenha a duração da eternidade.

Ali a inquietude do sentimento ganha tons de voo deixando a paz invadir cada parte das minhas células. Ali eu não sei o que tu pensa, mas eu penso que se o sonho existe, com certeza é bom desse jeito.

É ali que me vem a certeza de que eu quero compartilhar cada verso da poesia, tantas vezes, desastrosa que construo cotidianamente, com você.

É ali que vejo que não quero pontos finais presentes nos versos que nos compõe. Quero mesmo versos livres, pois são neles que damos asas a imaginação. Quero uma vírgula, pois dela se faz a pausa para que possamos garantir o fôlego para o próximo verso.

Eu passaria a vida inteira com você sem te dar um único beijo. Porque é você, independente de qualquer coisa que faz a vida ser mais bonita.

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor