São tantos os barulhos que nos cercam que quase nunca o som do bater das asas das borboletas atravessa nossos tímpanos e isso diz muito sobre a forma como os tufões são formados do outro lado do mundo. O caos toma seus próprios caminhos assim como a calmaria também. Datas são apenas datas até certos acontecimentos. Foi assim com o dia 10.

Confundimos barulhos com silêncios. Cruzamos fronteiras imagináveis para chegar a lugares dos quais não sabemos porque mas algo nos move para lá. Buscamos interpretações naquilo que não se deve ter o entendimento, simplesmente porque é na falta que mais nos encontramos. Eu já disse o quanto sinto saudade de você?

Essa noite, amanheci o dia observando tudo o que posteriormente pode virar metáfora e me lembrei da primeira vez que me atravessou pela retina uma estrela cadente, o quanto a sua queda, que durou o tempo que deveria durar, se assemelhou a poesia preenchendo o vazio da existência por um instante. Aquele momento que fica e que salva.

Andamos tão distraídos com tudo. Temos sede de vida ao passo em que nos afogamos nos exageros cotidianos. A efemeridade consome. As eternidades duram um tempo de um clique. As fotografias guardam e revelam uma pequena fração de tempo e espaço enquadrados na sutileza dos gestos. Olhares únicos transpassados por um só ângulo. Capturas de silêncios.

As pessoas estão sofrendo.

As tristezas embotam desejos e o tempo, tão inexplicável, passa. Parece que nunca vivemos o suficiente.

Quantos afetos cabem em uma só vida?

Tantas são as demandas para se unir com outro que suspeito ser daí uma das fontes de maior infelicidade do mundo.

A lírica da existência é como uma pipa a desdobrar-se sobre os ventos. Precisamos não só observar, mas cruzar fronteiras para encontrar aquilo que beira o incompreensível. Perguntas nos movem mais que respostas.

O insignificante importa.

E assim como a tinta da caneta significa o mundo para quem escreve, uma lágrima pode significar um oceano aos olhos de quem chora.

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em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor

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