Toda vez que assisto a um filme de romance, daqueles bem clichês fico me perguntando de onde aquela história surgiu. Qual o contexto ou a circunstância pra alguém criar mais uma história, com pessoas que se apaixonam em situações, as vezes, inusitadas; as vezes não.

Quando mais nova, com meus 14, 15 anos me perguntava muitas vezes se o amor acontecia daquele jeito ou como seria se apaixonar verdadeiramente por alguém à ponto do seu peito explodir de tanto que seu coração está ali, pulsando, sinalizando que algo diferente está acontecendo. Até que aconteceu comigo.

É algo tão profundo que se torna inexplicável. Você sentir que ama alguém tangencia aquele ponto da vida em que a ciência não consegue dar respostas suficientes pra isso. O conforto vem mesmo é de uma música, um texto, um poema, a história de um amigx que também está amando um outro alguém. O conforto pode vir muitas vezes através do sorriso daquela pessoa que você ama.

Esse amor é tão vivo que você sabe que tá sentindo ele. Você só sabe. Porque é diferente. É mais avassalador que se apaixonar à primeira vista. Não acontece da noite para o dia, mas para alguns acontece. Não tem fórmula, regra ou limitações. É quase torturante limitar um sentimento tão intenso como esse. É como querer tapar o buraco com uma peneira. Uma hora ou outra o sentimento vai ser expulso de dentro de você.

Tudo o que a gente guarda sufoca.

Pode não ser hoje, nem amanhã. Pode ser daqui a 10 anos e você vai sentir ele apertar sua garganta impedindo que o ar chegue aos seus pulmões. Uma hora ou outra é preciso encarar que é isso mesmo que você está sentindo e aprender a lidar com isso.

Com o tempo, analisando a mim mesma, a vida, lendo, relendo, escrevendo, pensando e repensando eu apenas soube que era amor. Não tinha outra explicação plausível para o que eu estava sentindo.

Afeição a gente sente por muitas coisas, não é algo que chacoalha você dos pés à cabeça. O carinho carrega uma dose de amor, mas não é amor. Com o amor, cada dia é único. Até os dias que se fazem tão iguais são únicos. O sentimento pelo outro só cresce como se fosse consumir todas as partes do corpo até chegar à mente. Ou o processo acontece ao contrário. Não sei definir muito bem.

Amor é querer ver o outro bem. Bem de verdade. Estando ou não com você. É cultivar um cuidado diário. É dar mais um nó no emaranhado da vida. É estar feliz até por compartilhar um detalhe mínimo do seu dia. Amor é aquilo que existe entre o início e um fim e que se perpétua para sempre como se fosse uma tatuagem própria para o coração. Este, as vezes, bate tão acelerado que perde o foco do equilíbrio interno.

O amor carrega a saudade quando você não encontra o olhar da pessoa que ama no meio da multidão ou no silêncio presente dentro do seu quarto. É você estar ali com ela e não pensar em estar em outro lugar. Você se perde e se encontra com esse alguem. É surreal ao ponto de você se questionar o que está acontecendo.

E é tão bonito que a junção de abstratos se transforma em algo concreto e ao mesmo tempo intocável. É como tocar os minutos do tempo. É lindo, apenas. É raro.

Perdida em pensamentos sei que isso poderia ter sido um poema, um poema em que poderia traçar os pontos no céu ligando estrelas pra mostrar que toda vez que eu a vejo eu sei que a amo.

Isso poderia ter sido um poema, um poema com versos de saudade pra tentar ao menos encontrar o olhar dela em qualquer lugar desse mundo.

Isso poderia ter sido um poema, mas não foi. As vezes a vida tem dessas coisas. Transformar uma reta em uma curva no tempo de um piscar de olhos.

Isso poderia ter sido um poema endereçado somente a ela pra ela saber que NEOQUEAV significa “Nunca esqueça o quanto eu amo você”.

Isso as vezes parece um filme vestido de sonhos e eu não consigo parar de pensar que isso poderia ter sido apenas um poema.

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor