O paradoxo que foi te amar

Sabe, você foi aquilo que existe entre o ir e o ficar, uma indecisão. Talvez, arriscaria dizer, um paradoxo. Causava-me dor e alegria; nunca entendi muito bem os mecanismos pelos quais o amor atua, mas de alguma forma eu sabia que te amava.

Minunciosamente, enfrentamos os monstros dos relacionamentos. Construímos uma relação pautada em um futuro de ilusões e por isso derrotar os monstros não foi suficiente porque não sabíamos onde colocar os corpos inertes após a briga.

Um jogou a culpa no outro após o fim. Hoje sei que não existem culpados. Existem fins e pelo visto não gostávamos muito dessa ideia, então lutamos em estado de completo delírio para prolongar algo que os dois juntos não conseguiam sustentar.

O silêncio acompanhava todas as nossas tentativas de acerto e erro. Lembro que no início de tudo éramos taciturnos. Namorávamos com olhares e toques. Era bom ter aquele silêncio de chuva que terminava em dia de arco íris.

Os silêncios partilhados nas últimas semanas eram atormentadores. Eram como silêncios de chuva torrencial que derrubam árvores e causam danos as construções humanas.

O nosso para sempre não durou muito. As flores, agora murchas, exalavam o cheiro do amor que esquecemos de cultivar. A mesa vazia é só uma confirmação da sua partida congelante. Meu coração trabalha lentamente e o simples fato de respirar, causa-me dor porque, de repente, vejo teu sorriso em uma foto na cabeceira da cama.

Ainda não tive a condição emocional para deixar você sair totalmente da minha vida. Não te culpo mais por ter ido, mas me odeio por te fazer ficar. Lembrar dói e meu cérebro trabalha para cessar a dor, inevitavelmente, o seu trabalho não é suficiente. A força do meu poder é esmagada pela força do meu querer. E eu quero você aqui comigo. Quero viver, mais uma vez, esse paradoxo que foi te amar.

https://www.youtube.com/watch?v=vLKQ7J3tTVU

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor