Eu observava diariamente a forma como a luz atravessava a janela da porta da tua sala formando triângulos coloridos no chão que iam sumindo, sumindo até a penumbra tomar conta daquele espaço em que mais cedo te vi dançar.
Chegava a hora de ir embora, e aquele avião das 17:15 passava. E você corria para o corredor, seus olhos saltavam. Sua felicidade tomava conta do tempo e do espaço que ocupávamos. Felicidade pra mim era o amor que desaguava e se multiplicava sobre nossa rotina. Era o teu primeiro sorriso ao acordar e chamar o meu nome num tom curioso para saber o que eu estava aprontando já nas primeiras horas da manhã. Era dormir sentindo teu cheiro e o calor do teu corpo próximo ao meu. Era a certeza de que eu não estava sozinha em um mundo de vazios e clichês. Era a realização de sonhos ao teu lado porque era você que dava sentido a palavra que muitas vezes usamos cedo demais: amor.

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em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor

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