Eu estava a pouco mais de 90 dias sem escrever uma palavra. As ideias chegavam na forma de terremotos na minha cabeça, mas o ato de transferência era inexistente, a tinta que molha o papel estava, definitivamente, seca.

Fim de tarde. O sol ainda em graus de teimosia, queimava lá fora como se fosse nos devorar. Duas panelas no fogo - efervescentes.

Ela. E um ukulele.

Uma tarde quente, mas serena. De um calor bom. De um abraço que pairava no ar como uma pintura surrealista.

Música.

E um entrosamento que é quase impossível de acreditar. Um amor que ganha o brilho da mais bonita das estrelas. Um amor com tons de cuidado, zelo.

Um sorriso. Dos mais bonitos que se pode ver. Aquela serenidade que se transforma em melodia.

A voz dela.

Um dia de luz intensa.

Podia-se chover. O mundo explodir em essência. A roda gigante girar ao contrário. E nada, nada poderia ser mais magnífico que aquele momento. Nada poderia apagar a luz que de alguma forma vinha dela.

É porque é sobre ela. Ninguém mais.

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor