Esse texto possui referências elevadas ao poema “FEVEREIRO” de Matilde Campilho

Hoje eu escutei mais uma vez um poema. Ah, Matilde o mundo realmente anda tremendamente esquisito e eu… bom, eu também. Assisto a minha própria vida se tornar uma rachadura. Não foi o Leon que disse que existe uma rachadura em tudo?

Acho que isso significa que sou em tudo semelhante a uma falha. Uma falha no mundo. Mas ele disse que é assim que a luz entra. E assim como você não sei se entendi. Talvez se buscarmos as milhares de explicações que existem sobre falhas e rachaduras no mundo quebraremos o encanto de suas palavras.

São tantas as perguntas, Matilde. Tantas explicações sem entendimentos.

Nunca cheguei a ver o movimento químico do mercúrio no mundo. Mas acho que entendo quando fala sobre cinco mil explicações possíveis para o amor. O amor talvez seja como o movimento do mercúrio. Mas talvez seja como o movimento dos planetas. Órbitas, anéis, estrelas, galáxias que são impossíveis de serem identificadas por meio de tecnologia humana. Um vazio de luzes e silêncios que gritam por atenção. Que sofrem colisões de meteoros, que se expande e se expande até que explode. E o movimento agora é de luz. Luz que se espalha pelo Universo todo. Luz que quebra todos os vidros da melancolia.

Não sei se te disse, Matilde. Mas também nunca entendi porque meteram um boi naquele estábulo ao invés de um rinoceronte. O ser humano é um bicho tão… inexplicável.

Nossos Universos tão vastos são tão limitados por aquilo que nossos olhos teimam em querer ver. Nossos sentidos carregam histórias que se espalham pelo sistema nervoso por meio de ondas de sinapses. Ai vem os arrepios fora de hora, os calafrios, o sentir sem estar ali, a sensação de um beijo a muito tempo dado - preso na memória, o cheiro, o toque. Percepções entrelaçadas em cada célula.

Eu queria viver no intervalo tênue entre o sono e a agilidade, mas não sei se consigo. Teu livro vermelho me surgiu como um presente. Foi de emudecer os sentidos ao mesmo tempo em que estrondos se faziam ouvir por meio de tuas palavras.

Na maior parte do tempo me sinto como um asteroide prestes a colidir. Risquei todo teu livro vermelho e te peço perdão. Gostaria de conhecer o dorso da baleia solitária como você conheceu.

O amor se expande e a verdade é que “não sei nada sobre a paixão, suspeito que você também não.”

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor