elas se beijaram uma última vez naquele espaço de tempo entre o verão e o outono.

e por elas quero dizer eu e ela

isso poderia ser uma carta, mas acontece que no verão os dias duram mais que as noites e aquela noite durou apenas um instante

e nenhuma palavra poderia definir o gosto do beijo (saudade), o cheiro (primavera), o toque (quente), o tempo (inexistente), o abraço (casa)

sensações que ultrapassaram a pele

e que reverberaram

meia noite

e como de costume o outono trouxe quedas de temperatura

o beijo transformara-se em um carinho bom

uma olhava pra outra porque ali havia galáxias no lugar dos olhos

de alguma forma sabiam que seria o último beijo

e foi.

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor