ELA E ELA

um beijo quente
desesperado
era desejo guardado
Júlia e Gabriela.
ela e ela
Júlia sorriu primeiro
Gabriela entrou em desespero
[ que negócio era aquele que ela sentia? ]
Júlia queria tornar público
Gabriela queria guardar em caixa de marfim
[ o que será que minha família vai pensar de mim? ]
Júlia sempre soube que gostava dela
Gabriela sempre gostou dele
ele nunca deu bola pra ela
ficaram um vez, coisa rápida
logo, reconheceu que seu coração acelerava com a calmaria em tempestade de Júlia Bela.
Júlia era persistente
Gabriela resistente
[ não é casamento e filhos que a sociedade exige da gente? ]
o toque dos lábios despertou
algo muito mais forte que o desejo
Gabriela estava apaixonada.
e morrendo de medo,
no mesmo instante Júlia soube que sentia o mesmo.
entre idas e vindas
encontros as escondidas
Gabriela ficou cansada.
[ por que logo ela que sentia algo tão bonito estava agindo como se tivesse feito coisa errada? ]
contou primeiro aos amigos
no dia seguinte a história havia se espalhado pelos colegas.
dias mais afrente aos desconhecidos
até que ele, com dor de ego
decidiu expor para a família dela
[ isso é culpa da novelas!
não aceito safadeza na minha casa, sobre meu teto só fica moça recatada.
e os meu netos?
isso não é normal, Gabriela. onde já se viu ela e ela?
influência dos amigos!
o colégio deu até palestra sobre isso
filha minha tem que arranjar macho!
o que os vizinhos vão pensar? ]

transformaram a felicidade de Gabriela em gritos de machismo
pelo visto ela nasceu pra arranjar marido ter uma casa e muitos filhos
[que futuro era esse cheio de empecilhos?]
era da vida dela que eles estavam falando.
um ser humano
Júlia indignava-se
na sua família também foi difícil.
o suporte que ela deu a Gabriela nenhuma outra pessoa faria tão grande sacrifício
era amor o que elas sentiam
por que não lutar por isso?

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor