Dei uma volta completa em torno de mim mesma. Não gostei do que senti. Nunca fui de me olhar com muita afeição, ou carinho. Tantas cicatrizes invisíveis, tantas dores, tanto de tudo, do tangível, do intangível, do sentir e dos sentidos, do significar, do ressignificar. Tanto de mim e do outro. Pensamentos tão confusos, batimentos cardíacos desordenados. O medo paralisante e o medo que move entrelaçados na molécula de DNA. A vida acontecendo. Tudo girando, tudo sendo puxado para baixo por uma força gravitacional que suspeito ser também a força que metaforicamente nos impede de voar. A poesia como atravessamento. O corpo enquanto aquele que sofre com o os olhares, os discursos, as construções subjetivas. O corpo como o locus de um sofrimento chamado realidade. Um movimento de homeostase em busca do equilíbrio. Ciclos que se fecham ainda incompletos, mas necessários. Um suspiro. Um pingo esquecido de chuva da noite passada daquela árvore solitária da esquina de casa. Os ventos tão majestosos quanto as melhores sinfonias criadas. Passos apressados de solidão.

Uma sala sempre vazia de mim, mas nunca do outro.

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor