de tempos em tempos memorias, antes latentes, invadem minha consciência.
são intensas. paralisantes. chacoalham tudo aqui dentro e fico fora do ar por dias.
quem era eu naquele tempo em que era apaixonada por você? você consegue me dizer? eu não consigo. é tudo como uma nuvem nublada na minha cabeça. todas as minhas ações eram voltadas para você, para o seu bem estar, porque isso me deixava bem.
eu sentia tanto medo de você ir embora que teve um dia eu que eu, complexamente, fui. porque percebi que apesar da sua presença, você já tinha ido a muito tempo. e eu senti a dor dessa vivência. uma dor que sempre tentei manter distante.
ontem mesmo sonhei que você me perguntava como é. como é o que eu disse? isso, esse sentir simplesmente respondi: você não vai querer saber. porque nem eu quero. nosso corpo tem a mania de esconder quase tudo que nos fere. mas algo sempre escapa e ai nasce o problema. uma questão que evitamos e que futuramente nos assombra. eu evito pensar em você, pensar na forma como você me fazia sentir. porque me dói e por mais que eu entenda eu não entendo.
o preço é alto. o preço de se apixonar sempre é. é um trauma para as células, tudo tão intenso e tão confuso. tudo tão bagunçado e tão alinhado ao mesmo tempo. um choque frente a uma realidade tão massacrante. um choque que eventualmente passa. e o corpo quer se recuperar do trauma. tentativa vã, diria eu. nada será como foi e nunca saberemos como será. é a equação da existência. e a gente sofre pelo que passou, pelo que acha que vai acontecer e pelo que está acontecendo.
hoje eu estou em um desses dias de autossabotagem, em que as barreiras do meu corpo não suportam a dor e se rompem deixando transbordar aquilo que outrora existiu e que jamais será da mesma forma.

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor