Ando pensando muito sobre a existência do livro vermelho e da baleia solitária. No elo que aí existe e que por vezes chamamos coincidência. Coincidências são tão imensas, tão cheias de abismos inexplicáveis, tão cheias de levezas complexas. Não sei até que ponto entendo de coincidências, mas dizem que elas existem.

Durante essa noite estilhacei meus sentidos e pensei que ao mesmo tempo em que os leões rugem contra Deus ao perceberem que seus focinhos são iguais, os 52 hertz da baleia também alcançam os céus. Nenhuma outra baleia a ouve, mas sua frequência atingiu a curva da nossa existência, chegou ao livro vermelho ressoando na junção de cada verso que vai de C a M.

Por causa da baleia aprendi que o amor são sete vidas multiplicadas. Observei um caleidoscópio e pude compreender como a luz entra e transforma tudo em simetria. Encontramos e reencontramos o dorso, ressignificamos o seu canto e o abraçamos como se nossas musicalidades tivessem, enfim, se familiarizado.

O canal do dorso me conectou a uma menina que não acredita nos números impares e todas as minhas células passaram a sorrir com sua chegada. Pude então perceber que a saudade pode causar terremotos bem aqui dentro da caixa torácica e que a distância é só um termo engendrado pelos homens que ainda não tiveram a chance de vê-la dançar.

O nascer do Sol em algumas partes do mundo marca a sucessão dos dias. Os horizontes carregam belezas que por vezes capturamos nas fotografias ou guardamos na memória. Ainda não compreendo como os aviões desafiam o voo dos pássaros, mas sei que o amor tem teu nome.

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor