Acordei com uma dor. Uma dor que eu não sabia qual era a localização. Não era dor física, mas parecia que era. Tomei um paracetamol na tentativa vã de medicalizar a existência. 30 min depois a dor ainda permanecia no mesmo lugar. Um lugar que era todos os lugares e ao mesmo tempo era lugar nenhum.

Comecei a escrever sobre o que eu achava que me doía. Senti medo e parei de escrever. Olhei o papel com poucas linhas, o cérebro martelando, querendo dar vasão a algo que sempre que chegava perto me escapava. Foi então que primeira lágrima desceu, e depois a segunda e depois já não dava mais pra contar.

Tive que chorar em silêncio enquanto tudo aqui dentro gritava. Com a caneta ao chão e o papel molhado percebi que meu choro era sobre a dor. A dor das palavras que nunca pronunciei, dos sentimento que eu nunca me deixei sentir, do julgamento que sempre me fiz a partir do olhar dos outros, dos erros que nunca me permiti o perdão. A dor do nó na garganta de quando eu poderia ter dito tudo e mais um pouco mas preferi deixar pra lá, porque deixando pra lá doeria menos tanto em mim quanto no outro.

Meu corpo dá sinais de exaustão. Veio-me o sono. Mas tive medo de dormir, os sonhos quase sempre revelam coisas das quais queremos fugir. E eu fugia de mim mesma o tempo inteiro.

A dor é quase tátil. E se dizem que um dia tudo passa, ela deve passar também.

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor