Acho que a existência da baleia solitária nunca fez tanto sentido para mim como faz hoje. Cantar a 52 hetz quando todas as outras da espécie cantam até os 20 hetz é como gritar e ninguém nunca ouvir. Tenho gritado comigo mesma.

Tenho chorado nos poucos minutos de pausa que tenho no trabalho - 10min/20min/10min porque é esse o tempo que existe para chorar. Sinto minha existência como jogada a um precipício onde só se vê o vazio. Vazios impreenchiveis.

Há de haver explicação para quando o coração entra em câmera lenta, todo o resto se transforma em uma cena de novela e surge a única pergunta: o que aconteceu? Há de chegar o momento em que meus olhos se encontrem comigo mesma e eu consiga ver algo de bom que possa ter restado por aqui em mim?

Coração carrega tantas fissuras, tantos barulhos atravessados, tantos reparos mal feitos.

Hesito ao pensar na capacidade humana de ferir. Assim como todo mundo faço parte dessa equação. Magoar.

Margoar e ser magoada.

Espero que exista alguma fábrica de reparos para corações partidos

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em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor

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Ana Graziely

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em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor

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