São exatamente 00:48.

00:47 eu já não era mais eu. Os pensamentos eram outros, metamorfoseados pelo instante futuro, pelo ato de me projetar em um amanhã, em um sonho, pelo absurdo de viver um ontem. É pensar em um minuto anterior. Uma hora que já se foi, mas que permanece envolta em cada célula de DNA.

É a perplexidade que faz parte do corpo. Que nos torna únicos no mundo, verdadeiros singulares. É a perplexidade que encontra a brecha para os sentimentos mais bonitos no meio de tanta angústia, tanto caos. É a perplexidade com o que ainda virá que nos imprime uma capacidade indescritível de viver.

As vezes pegar um ônibus é o suficiente. Ir ao shopping, passar um tempo com minha melhor amiga, com minha mãe. As duas juntas, sorrindo, jogando conversa fora. É época de chocolate. Tem ovos de páscoa na cesta. Tem a perplexidade de se viver um momento totalmente não planejado.

Felicidade a gente encontra assim. No instante. No limite do inesperado. E é bom. É extraordinário. 01:00 e eu penso no quanto o simples me faz bem. Penso também que o dia já se aproxima. Logo é noite, logo é outro dia…

É uma questão de tempo. Este, nós não temos. Ou temos e não sabemos tirar proveito. É tudo uma questão de perspectiva, de ver o espectro e saber que uma cor tem vários tons.

Há quem olhe para as árvores reclamando sobre o quanto de sujeira elas podem fazer e há quem admire a persistência das suas raízes para mantê-las viva, as cores das suas folhas, as curvaturas do seu tronco.

Já é outro dia e felicidade não é questão de ser. É de estar.

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor