A nossa primeira conversa foi sobre as metáforas. Na verdade eu falei sobre elas e você só me ouviu. Desde o ensino médio metáforas sempre me deixavam intrigada. Até hoje não sei porque. Li uma vez que precisamos ter cuidado ao usá-las porque até o amor pode nascer de uma delas. E o nosso encontro, ouso dizer, nasceu de uma metáfora. O A, escrito dessa forma, mas entendido como B. Existe aí uma força que exige entendimentos tênues das nossas vivências e da nossa capacidade de relacionar eventos. Você, assim como as estrelas me contemplava falar. Não sei se te disse mas aquele dia foi como uma colisão de astros. O tempo corria sobre nós, mas não conseguiamos sentir. Era como se tudo estivesse desestruturado de uma forma boa e tranquila. Era como se os pássaros tivessem encontrado seu caminho para fugir do inverno que apontava chegar.
Você sorria. E eu te guardava em cada fragmento de memória que eu conseguia porque existem momentos que queremos prolongar ao máximo. Eu não sei se foram seu olhos que sempre desviavam dos meus, ou seu perfume que se alastrava pelo ambiente, sua voz tranquila e serena, seu sorriso sincero ou sua forma de transformar cada acontecimento cotidiano em uma história bem elaborada, com inicio meio e fim, com falas e cenas que poderiam facilmente ser experienciadas dali, só por te ouvir falar.
No momento em que o tempo começou a nos castigar com sua pressa sabíamos que aquela metáfora não seria suficiente para compor uma constelação. Saímos então, cada uma para um lado da cidade com a promessa silenciosa de um próximo encontro. Eu sabia que não tardaria a chegar. Porque você, fez nascer aqui dentro, a metáfora mais bonita do mundo. Talvez um dia eu te conte qual é!

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor