o fogo transforma tudo o que toca

a chuva não cai
a água quando chega já não consegue mais revitalizar o que já se foi
ao final resta memória

que o tempo
(com certa urgência inexplicável)
leva embora


Acordei com uma dor. Uma dor que eu não sabia qual era a localização. Não era dor física, mas parecia que era. Tomei um paracetamol na tentativa vã de medicalizar a existência. 30 min depois a dor ainda permanecia no mesmo lugar. Um lugar que era todos os lugares e ao mesmo tempo era lugar nenhum.

Comecei a escrever sobre o que eu achava que me doía. Senti medo e parei de escrever. Olhei o papel com poucas linhas, o cérebro martelando, querendo dar vasão a algo que sempre que chegava perto me escapava. …


as vezes eu penso em guardar a poesia na concha das mãos
só pra derramar cada palavra indescritível e bonita
na composição das nossas existências
o efeitos sonoros das tuas frequências fazem um barulho bem bom aqui no coração
não sei o que aconteceu com o menino nômade
mas se eu fosse nômade
escolheria ser, apenas, com você ao meu lado


o som do mundo
é transformado em cascata
quando o silêncio
recai sobre os corpos
e todas as batidas do coração
causam no interior do mundo
um balanço
é o silêncio que faz ouvir
ouvir o simples
sentir que a banalidade 
está inscrita no DNA

é a estrutura
que desestrutura
tudo em volta


Ando pensando muito sobre a existência do livro vermelho e da baleia solitária. No elo que aí existe e que por vezes chamamos coincidência. Coincidências são tão imensas, tão cheias de abismos inexplicáveis, tão cheias de levezas complexas. Não sei até que ponto entendo de coincidências, mas dizem que elas existem.

Durante essa noite estilhacei meus sentidos e pensei que ao mesmo tempo em que os leões rugem contra Deus ao perceberem que seus focinhos são iguais, os 52 hertz da baleia também alcançam os céus. …


teus olhos me atravessaram

assim como a poesia atravessa teu corpo

e mesmo sabendo que é impossível uma reta paralela encontrar outra

nos encontramos

não nas nossas similaridades

mas nas nossas diferenças

um punhado dos teus eus e outros

junto com os meus

uma metamorfose diária das nossas notas musicais

corpos inquietos

e a calmaria de um encontro

que faz barulho

barulho de dança,

barulho de riso,

barulho de coração batendo além da conta

barulho que chamamos de amor


Foi rápido como um sopro
Foi brisa
Chuva que nem chegou tocar o chão
Foi música de 3 minutos

Foi um piscar de olhos
Uma batida de coração
Foi pôr do sol
Um aperto de mão

Foi marola
Flor de primavera
Folha seca de verão

Foi céu
Foi mar
Uma breve imensidão

Foi quase amor

Mas não durou


sinto sua presença no aconchego da sala de estar

talvez, só talvez sinto sua presença

agora já não tenho tanta certeza

seu cheiro está em todos os cantos

ouço sua voz

e o tilintar dos pratos na cozinha

o eco do teu sorriso

percorre o ambiente

a cama meio bagunçada denuncia minhas incertezas

acho que já faz uma semana.

o gosto indesejado do abandono me atormenta

e a solidão, antes tão distante, bate na porta

como sinal de que você não voltará mais


São tantos os barulhos que nos cercam que quase nunca o som do bater das asas das borboletas atravessa nossos tímpanos e isso diz muito sobre a forma como os tufões são formados do outro lado do mundo. O caos toma seus próprios caminhos assim como a calmaria também. Datas são apenas datas até certos acontecimentos. Foi assim com o dia 10.

Confundimos barulhos com silêncios. Cruzamos fronteiras imagináveis para chegar a lugares dos quais não sabemos porque mas algo nos move para lá. Buscamos interpretações naquilo que não se deve ter o entendimento, simplesmente porque é na falta que…


Sempre que ouço alguma música de Coldplay me surge uma necessidade agonizante de escrever. Mas eu nunca sei o que escrever ou sobre o que escrever — se sobre amor, o tempo ou sobre você ser yellow. O tempo talvez seja só uma invenção nossa mesmo porque a gente sabe que tudo acaba um dia. E é triste pensar que a vida é curta demais quando meu maior desejo é viver a eternidade ao seu lado. Você brilha como nenhuma estrela no mundo. As vezes tudo o que queremos é voltar para casa. Mas não qualquer casa, um lar. Um…

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