na dimensão dos teus olhos gigantes
Capitu teria inveja
não eram oblíquos,
nem dissimulados
eram como planetas inexplorados
banhados pela liberdade dos pequenos
pássaros que há pouco se lançaram ao primeiro vôo

olhos de universo - Infinitos

Ainda que existisse mais do que o sim
Nos teus lábios eu era exatidão
Ainda que de tu eu recebesse um não
Palavra nenhuma conseguiria encontrar minha solidão
Ainda que no mapa da vida tu me desencontrasse
Os mesmos pontos que formam as retas, formam as curvas
E tua imensidão encontraria minha calmaria
Como o céu encontra a terra
Nos dias de chuva de verão

o fogo transforma tudo o que toca

a chuva não cai
a água quando chega já não consegue mais revitalizar o que já se foi
ao final resta memória

que o tempo
(com certa urgência inexplicável)
leva embora

Acordei com uma dor. Uma dor que eu não sabia qual era a localização. Não era dor física, mas parecia que era. Tomei um paracetamol na tentativa vã de medicalizar a existência. 30 min depois a dor ainda permanecia no mesmo lugar. …

as vezes eu penso em guardar a poesia na concha das mãos
só pra derramar cada palavra indescritível e bonita
na composição das nossas existências
os efeitos sonoros das tuas frequências fazem um barulho bem bom aqui no coração
não sei o que aconteceu com o menino nômade
mas se eu fosse nômade
escolheria ser, apenas, com você ao meu lado

o som do mundo
é transformado em cascata
quando o silêncio
recai sobre os corpos
e todas as batidas do coração
causam no interior do mundo
um balanço
é o silêncio que faz ouvir
ouvir o simples
sentir que a banalidade 
está inscrita no DNA

é a estrutura
que desestrutura
tudo em volta

Ando pensando muito sobre a existência do livro vermelho e da baleia solitária. No elo que aí existe e que por vezes chamamos coincidência. Coincidências são tão imensas, tão cheias de abismos inexplicáveis, tão cheias de levezas complexas. …

teus olhos me atravessaram

assim como a poesia atravessa teu corpo

e mesmo sabendo que é impossível uma reta paralela encontrar outra

nos encontramos

não nas nossas similaridades

mas nas nossas diferenças

um punhado dos teus eus e outros

junto com os meus

uma metamorfose diária das nossas notas musicais

corpos inquietos

e a calmaria de um encontro

que faz barulho

barulho de dança,

barulho de riso,

barulho de coração batendo além da conta

barulho que chamamos de amor

Foi rápido como um sopro
Foi brisa
Chuva que nem chegou tocar o chão
Foi música de 3 minutos

Foi um piscar de olhos
Uma batida de coração
Foi pôr do sol
Um aperto de mão

Foi marola
Flor de primavera
Folha seca de verão

Foi céu
Foi mar
Uma breve imensidão

Foi quase amor

Mas não durou

sinto sua presença no aconchego da sala de estar

talvez, só talvez sinto sua presença

agora já não tenho tanta certeza

seu cheiro está em todos os cantos

ouço sua voz

e o tilintar dos pratos na cozinha

o eco do teu sorriso

percorre o ambiente

a cama meio bagunçada denuncia minhas incertezas

acho que já faz uma semana.

o gosto indesejado do abandono me atormenta

e a solidão, antes tão distante, bate na porta

como sinal de que você não voltará mais

Ana Graziely

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store