Te fiz nota musical

Enquanto só silêncio tu me dava
Tentei te buscar palavras
Mas eu já sabia
Na presença ausente de tua companhia
Nosso “nós”

Se desestruturava.

Uma vez eu ouvi que não é silenciando a angústia que daremos o tratamento a ela. E angústia basicamente é vazio. Vazio que grita, que chora, que não sabe pra onde ir, nem o que fazer. E acaba que por não saber, invade todos os espaços possíveis. Acho que é…

Acho que a existência da baleia solitária nunca fez tanto sentido para mim como faz hoje. Cantar a 52 hetz quando todas as outras da espécie cantam até os 20 hetz é como gritar e ninguém nunca ouvir. Tenho gritado comigo mesma.

Tenho chorado nos poucos minutos de pausa que…

na dimensão dos teus olhos gigantes
Capitu teria inveja
não eram oblíquos,
nem dissimulados
eram como planetas inexplorados
banhados pela liberdade dos pequenos
pássaros que há pouco se lançaram ao primeiro vôo

olhos de universo - Infinitos

Ainda que existisse mais do que o sim
Nos teus lábios eu era exatidão
Ainda que de tu eu recebesse um não
Palavra nenhuma conseguiria encontrar minha solidão
Ainda que no mapa da vida tu me desencontrasse
Os mesmos pontos que formam as retas, formam as curvas
E tua imensidão encontraria minha calmaria
Como o céu encontra a terra
Nos dias de chuva de verão

o fogo transforma tudo o que toca

a chuva não cai
a água quando chega já não consegue mais revitalizar o que já se foi
ao final resta memória

que o tempo
(com certa urgência inexplicável)
leva embora

Acordei com uma dor. Uma dor que eu não sabia qual era a localização. Não era dor física, mas parecia que era. Tomei um paracetamol na tentativa vã de medicalizar a existência. 30 min depois a dor ainda permanecia no mesmo lugar. …

as vezes eu penso em guardar a poesia na concha das mãos
só pra derramar cada palavra indescritível e bonita
na composição das nossas existências
os efeitos sonoros das tuas frequências fazem um barulho bem bom aqui no coração
não sei o que aconteceu com o menino nômade
mas se eu fosse nômade
escolheria ser, apenas, com você ao meu lado

o som do mundo
é transformado em cascata
quando o silêncio
recai sobre os corpos
e todas as batidas do coração
causam no interior do mundo
um balanço
é o silêncio que faz ouvir
ouvir o simples
sentir que a banalidade 
está inscrita no DNA

é a estrutura
que desestrutura
tudo em volta

Ando pensando muito sobre a existência do livro vermelho e da baleia solitária. No elo que aí existe e que por vezes chamamos coincidência. Coincidências são tão imensas, tão cheias de abismos inexplicáveis, tão cheias de levezas complexas. …

Ana Graziely

em um estado de perplexidade permanente com aquilo que chamam de amor

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